AS VELAS –
Janeiro, janeiros. Rede na varanda, barulho de ondas, vista para um reduto de barquinhos de pesca, em vigia das idas e vindas dos aventureiros oceânicos.
Como é período do defeso, os lagosteiros restam estáticos, compondo a cena. Mas os paquetes e similares estão na ativa, despejando à areia tainhas reluzentes e ciobas gordas que fazem a festa dos cardápios veranistas. Entretanto, um componente estético não deu o ar da graça nesse movimento das embarcações mais singelas: as velas de tecido, em formato triangular, que serviram de inspiração às pinturas de Newton Navarro e Raimundo Cela e às canções de Caymmi.
Julguei que a omissão plástica dos panos que se contrapõem ao vento, gerando o impulso navegador, decorresse da falta de treino para o mister de gajeiro improvisado que assumi na atalaia do meu alpendre, já que ausente há tantos anos desse doce ofício. Em suma: eu não estava dando conta direitinho da preguiçosa contagem de quem entra e sai da enseada azul que se descortina às franjas da areia que conforta os pés dos felizardos em férias, como almofadas de fina espécie. Tinha que refazer urgentemente as estratégias de fiscalização.
Mudei então os ciclos de guarda; alterei os horários; busquei nas estrelas e nos pontos de alta e baixa maré uma razão para o vazio. Nenhuma dessas lógicas explicatórias satisfez.
Decidi investigar diretamente junto aos atores dessa atividade de solidão e domínio, que é a pescaria artesanal nos domínios de Netuno. Vi quão desinformado estou sobre as modernagens da atividade. Disse-me um moço do ramo que “todo mundo por aqui tem motor. Vela dá muito trabalho”. E exibiu-me orgulhoso um pequeno equipamento motriz de popa, que relegou o outrora garboso estandarte do seu barco a uma ferramenta de segundo nível, uma espécie de sobressalente, posto em uso somente quando falhar a tecnologia.
Morre assim, ao soluço das vagas, mais um componente romântico da paisagem marinha. Hoje seria difícil o despertar da poesia de Fagner e Belchior, para a construção de versos dizendo que “as velas do Mucuripe vão sair para pescar”. As suas mágoas teriam que seguir para as águas fundas do mar em outro tipo de embarcação
IVAN LIRA DE CARVALHO – Juiz Federal e Professor – ivanlira6@jfrn.jus.br
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