UM ESTRANHO NO NINHO –

O tempo passou, deixei de ser eu para ser eu! Não entendi! Diria o meu colega e amigo Luiz de Souza se, se ainda estivesse neste mundo.

– Augustão para de dizer besteira e me explica isso direitinho.

– Meu bom amigo Luiz, não tenho a mesma alegria que tinha há anos. Você se lembra todos sentados no muro do velho Atheneu contando lorotas?

Se lembra da Confeitaria Atheneu, onde se concentrava a nossa juventude e fazíamos brincadeiras sadias com o dono Odeman Miranda?

Se lembra do Ginásio Sylvio Pedrosa lotado para os jogos de futebol de salão, basquete ou vôlei?

Se lembra das serenatas que fazíamos?

Se lembra da Velha Ribeira, centro comercial de Natal, dos belos casarões, do Cais Tavares de Lira, onde íamos pegar o transporte marítimo para a travessia do Rio Potengi em direção a Redinha no nosso tempo Ridinha? Da festa do caju que era um grande sucesso? Se lembra dos diversos cabarés, das grandes lojas? A Ribeira acabou, resta um fraco comercio que desperta pouco interesse.

Se lembra de Zé Areia, Zé Menininho e sua sanfona, de Maria Barra Limpa vendendo calcinhas, de Maria Mula Manca que mandava todo mundo tomar no monossílabo quando era chamada por este apelido, ou chamada de Aluízio Alves, de um moreno de cabelos brancos que vendia jornal e ninguém entendia nada, o velho Cambraia, de Caju cadê a castanha?  Dos engraxates de sapatos, das praças de carro, onde alguns motoristas usavam paletós de linho branco e gravata, lá pelas Rocas as carnes de sol do Lira e do Marinho. Se lembra das redes dos pescadores estendidas nos varais das praias Redinha, Areia Preta e Ponta Negra?

Era tudo muito diferente Luiz, não tinha shoppings, a gente comprava nas mercearias ou vendas, no Mercado Público da Cidade Alta.

Você se lembra da Praça Pedro Velho, onde íamos namorar, das festas da Mocidade nas praças André de Albuquerque ou Praça Pio X, No Natal o comercio da Cidade Alta abria a noite nos meses de novembro e dezembro? Do Grande Ponto cheio de pessoas batendo papo ou fazendo compras? Dos jogos no Juvenal Lamartine, das regatas no Rio Potengi, do Restaurante da Rampa, do Brisa del Mare, da Praça de Jeep Willys, das quermesses na Lagoa Manoel Felipe, das matinés no América, ABC e Aero Club, e falar em Aero você se lembra de Boquinha, se lembra das nossas lambretas ou vespas?

– É Augustão acho que entendi agora! No correr da vida, a gente sempre perde alguma coisa. Um grande abraço.

– Até mais Luiz, fica com Deus.

 

 

 

 

 

Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor, membro do IHGRN

As opiniões emitidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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